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EU E O JULGAMENTO

Outro dia uma aluna me perguntou se o tarô tinha me ajudado a viver minha vida melhor, e se tinha mudado a minha vida em alguma coisa. Respondi a ela que me parecia impossível avaliar isso: agora, neste momento da minha vida, já não consigo mais pensar minha vida sem o tarô.



Acho que tem sido bom, que tem feito minha vida melhor. Algumas experiências com o tarô são inesquecíveis, jogar para as pessoas, e para mim, me fez crescer muito. Como seria sem o tarô? Lembrei-me de um filme que gosto, e que se chama "De caso com o acaso" (1998, dirigido por Peter Howitt). No filme, há duas versões da história da protagonista, uma em que ela pegou um vagão de metrô, e outra em que não pegou o mesmo vagão. Chegando assim em horários diversos em sua casa no mesmo dia, numa simples decisão, bem simples mesmo, ela mudou quase tudo. Alguns acontecimentos se repetem nas duas versões da história no filme, outras situações são diferentes. O tarô foi esse vagão decisivo de metrô na minha Vida. Peguei o vagão do tarô em 1987, primeiro curso, primeiro baralho, primeira consulta.

Ando muito de metrô, e medito muito sobre a questão do livre-arbítrio no trabalho com psicologia, astrologia e tarô. Talvez o tarô faça parte do meu livre-arbítrio, apesar de Plutão estar retrógrado no meu mapa, e de provavelmente eu ser a taróloga que mais tirou a carta do Julgamento na vida. Não sei se algum de vocês já sentiu que uma carta está no "seu pé". É como uma assombração, um calo, um olho de peixe no pé: você fica com aquele troço te incomodando. Dá até medo de jogar tarô, e sair a mesmíssima carta. Uma aluna minha contou ter ficado com medo e respeito pelo tarô por conta dessas coincidências. Como tenho ascendente Áries, eu xingo, se as cartas me irritam. Só quem já conviveu com alguém com aspecto em Áries mal humorado conhece essa fúria. Quando passa, dá um alívio. Xingo profissional de telemarketing, computador e o tarô. Deus que me perdoe. Xingo fila de banco também, e as porcarias das taxas que os bancos cobram. Xingo ônibus que demora, e metrô cheio, ou quando tem que descer do vagão do metrô em que se está por questões operacionais.

De tanto tirar a carta vinte do tarô realizei anos atrás estudos dessa carta. Vejo num caderno antigo os desenhos que fiz tentando entender a carta, e anotações dos estudos que fiz da carta como está no livro de G. O. Mebes sobre os arcanos maiores do tarô. Uma das anotações feitas por mim: "O Arcano XX representa o mistério da atração que exerce sobre a vida humana (He) o Amor Divino (Iod). Daí o primeiro título do Arcano: Atração Dvina”.

O tarô é tão profundo! O que é esse Amor Divino? O beija-flor que não me abandona, porque não abandona a flor amarela que mora em frente à minha casa? A possibilidade de eu estar aqui escrevendo? A graça da chuva que vai cair daqui a pouco?

A presença do anjo na carta me lembra dos filmes de Win Wenders, "Asas do Desejo" (1987) e "Tão longe, tão perto" (1993). Acho que ele foi muito sensível na questão dos anjos em seus filmes. A mensagem dos anjos é o Amor, nos lembra Wenders em seus filmes. Vejo o Anjo da carta aqui, no meu cotidiano. Será que foi o Anjo que decidiu ficar instalado na minha vida, montado na carta? Deve ter sido.

"Quem julga no julgamento?", pergunta meu aluno. O tempo julga, Deus julga, suas próprias cobranças e a dos outros te julgam, respondo. Ele fica em silêncio. Diz que entendeu. A carta é difícil ou nós é que somos?

Tornar nossas cobranças suaves o bastante, exatas, é o objetivo de qualquer trabalho que visa o crescimento espiritual. Para isso estamos aqui. Se tudo vai acabar num túmulo como nos lembra a carta, o que tem realmente valor na vida além da própria Vida, por mais banal que isso pareça? O julgamento é o real, estar mergulhado no real, na concretude das coisas.

O tarô e a prática com ele nesses trinta e um anos de dedicação mudou a minha forma de encarar a vida e as pessoas, a morte e os processos de mudança. O tarô me ajudou a pensar a vida em forma de energia, minha consciência como sempre carente de mais aprendizado. O tarô me fez mais humilde.

Muitas situações que me pareciam existir só em novelas começaram a aparecer como realidade em minha vida jogando tarô para as pessoas. Descobri que a vida pode ser mais dramática do que antes me parecia. O tarô me revelou um mundo de cores e experiências junto com as pessoas para quem joguei que acho que não teria como experimentar senão através do tarô. Há uma singularidade, uma estrada única, sem bifurcações, onde entrei: a estrada do tarô é reta e comprida. Como a vida, não tem curvas, nem acostamento. Sentada nessa estrada, escrevo. Há tempo para meditar. O julgamento trouxe tempo para tudo quando me trouxe. Mas só agora entendi.

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Denise Astrologia

animadenise@uol.com.br